Comunicação na sociedade | Jornalismo, imprensa e democracia
- Jussara Prates

- 20 de jun. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: há 1 dia

A comunicação na sociedade exerce impacto profundo sobre a forma como pensamos, convivemos, aprendemos, participamos da vida pública e compreendemos o mundo.
Ela pode informar, aproximar pessoas, ampliar repertórios e fortalecer a democracia. Mas também pode ser usada para manipular, desinformar, produzir medo, espalhar ódio e fragilizar vínculos sociais.
Por isso, falar sobre comunicação é falar também sobre responsabilidade, senso crítico, jornalismo, circulação de ideias, formação de opinião e cidadania.
Comunicação na sociedade: informação, jornalismo e democracia
A imprensa e os meios de comunicação têm função vital para a democracia. Quando atuam com responsabilidade, contribuem para o crescimento intelectual do público, para o acesso à informação confiável e para a construção de uma opinião pública mais qualificada.
Ao mesmo tempo, a sociedade contemporânea enfrenta um desafio crescente: a circulação de notícias falsas, discursos manipulados e conteúdos descontextualizados.
As chamadas fake news produzem danos culturais, sociais e políticos. Elas confundem leitores, distorcem debates públicos e podem afetar diretamente processos democráticos.
Precisamos sair da bolha das redes sociais, usar nosso senso crítico e ficar atentos ao que lemos e divulgamos, pois mesmo sem querer, podemos estar contribuindo para a divulgação de notícias falsas e mal-intencionadas. Além dos prejuízos culturais e sociais, as Fake News estão custando caro para os governos que precisam agir na tentativa de inibir a ação de grupos especializados nesse tipo de (des) informação. Cabe a cada um de nós seguir certos critérios na hora de escolher nossas fontes de informação.
Nos jornais impressos sempre teremos referências de autor, jornalista responsável, dados das entrevistas que nos permitem confiar nas informações ali contidas, isso não quer dizer que precisamos concordar com tudo que lemos nos jornais, é claro. Mas, via de regra, esses são elementos importantes na confiabilidade da informação, da comunicação e do jornalismo.
Se fizermos uma retrospectiva do processo de desenvolvimento da comunicação humana, veremos que se inicia quando o homem do período da pedra lascada passou a viver em pequenos agrupamentos, estimulando o inter-relacionamento social. Seus gritos e gestos para se fazer entender leva o homem que vive na caverna a externar intenção e indicar objetos, sendo aprimorado com a linguagem, inicialmente restrita, depois com vestimenta de ideias, transmitindo conhecimento e criando acervo de raízes culturais.
A partir de pinturas rupestres, seguida das primeiras formas de escrita, o homem consegue desenvolver outras formas de comunicação. A escrita é a forma simbólica da linguagem falada e constitui uma grande invenção do homem, tornando possível preservar pensamentos, experiências e transmitir os conhecimentos obtidos às novas gerações.
Enquanto a linguagem se desenvolvia, os suportes e meios de comunicação também foram se aperfeiçoando. O surgimento do papel, inventado pelos chineses, substituiu as superfícies de pedra, os papiros e os pergaminhos de couro, então utilizados para a escrita.
O sistema de prensa tipográfica criado por Gutenberg, associado às possibilidades oferecidas pelo alfabeto romano, não somente possibilitou a produção de livros em grande escala, como propiciou o surgimento do jornal. Este sistema é considerado a origem da comunicação de massas por constituir o primeiro método viável de disseminação de ideias e informações a partir de uma única fonte.
Dava-se então o primeiro passo para a democratização da escrita e, consequentemente, do saber, pois o livro tornou-se portátil e o saber extrapolou os limites dos mosteiros, feudos e nações.
O surgimento e difusão da imprensa também estava vinculada ao desenvolvimento comercial e industrial das principais cidades da Europa. É com a imprensa que a cultura sai dos claustros e vai para as ruas, permitindo o surgimento do público leitor.
A produção de textos foi fundamental para a quebra do papel da Igreja como guardiã da verdade espiritual. Além de quebrar dogmas religiosos, a imprensa também serviu como instrumento de revoluções, movimentos ideológicos e revolucionários que, a partir do século XIX, se propuseram transformar o mundo.
A história da comunicação funde-se com a história da escrita e não caracteriza exagero afirmar que a tipografia instituiu a tecnologia moderna de comunicação, visto que antes, o que tínhamos eram tecnologias primitivas (tambor, berrante, fumaça) ou arcaicas (placa de barro, papiro, pergaminho). E não é um exagero dizer o quão prazeroso é abrir um jornal e inteirar-se das notícias, envolver-se e participar desse processo democrático chamado comunicação.
Segundo a associação mundial dos jornais, o primeiro jornal do planeta foi o Relationen, produzido por Johann Carolus, em 1605 em Estrasburgo. Afora isso, não é incomum encontrar textos que afirmam serem as Actas Diurnas publicadas em Roma desde 59 a.C, a origem do jornalismo.
No Brasil, o primeiro jornal foi o Correio Braziliense. Seu número inicial foi lançado em 1o de junho de 1808, por Hipólito José da Costa. Sua impressão era feita em Londres, porque a Coroa Portuguesa proibia a existência de impressoras na colônia. No mesmo ano, a família Real chegou ao Brasil trazendo nos porões dos navios as máquinas que iriam dar origem a Imprensa Régia, fazendo surgir o primeiro jornal impresso em território brasileiro.
A Gazeta do Rio de Janeiro foi fundada em 10 de dezembro de 1808 e publicava documentos oficiais e notícias de interesse da Corte, com linguagem bem parecida com os atuais diários oficiais. Nos anos seguintes foram surgindo outros periódicos, nos quais predominou o jornalismo panfletário da imprensa, que sobreviveu até metade do século XIX.
A imprensa chega ao estado do Rio Grande do Sul em 1827, quando foi criado o primeiro jornal sul-rio-grandense, O Diário de Porto Alegre, seguido de inúmeros outros, inclusive jornais étnicos que marcaram profundamente a história da comunicação no estado.
Como vimos, a comunicação e, especialmente os jornais, representam importante elo entre a sociedade, as autoridades constituídas e o conhecimento. Através do jornal, e outras mídias, a sociedade se manifesta, se informa sobre os fatos, forma opinião... e não é possível ter democracia sem opinião pública, sem informação e sem comunicação.
A comunicação e, especialmente, o jornalismo representam um elo importante entre sociedade, conhecimento, autoridades, instituições e vida pública.
Por meio dos jornais, livros, rádios, televisões, redes digitais e outras mídias, as pessoas acessam informações, acompanham acontecimentos, formam opiniões, participam de debates e constroem sentidos sobre o mundo.
Não há democracia forte sem informação qualificada.
Não há cidadania plena sem acesso ao conhecimento.
Não há cultura viva sem comunicação.
Por isso, estudar a história da comunicação é também compreender como as sociedades preservam memórias, disputam ideias, constroem narrativas e participam da vida coletiva.
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Jussara Prates Girardi é escritora, produtora cultural e criadora da Sinapse Cultural. Licenciada em História e Biologia, especialista em educação, arquivos, patrimônio, diversidade cultural e sustentabilidade, com MBA em Gestão Estratégica de Projetos, atua no desenvolvimento de livros, cursos, oficinas, jogos educativos, materiais pedagógicos e projetos culturais voltados à educação, memória, cultura e formação humana.












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