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Dia Mundial da Educação: como, com quem e em quais condições estamos construindo a educação?

educação no Brasil como processo coletivo e transformador
educação no Brasil como processo coletivo e transformador

No Dia Mundial da Educação, celebrado em 28 de abril, é comum reforçarmos a importância da escola, do ensino e, sobretudo, do professor. Esse reconhecimento é necessário e legítimo. No entanto, se quisermos avançar de forma consistente, é preciso ampliar essa reflexão e encarar uma pergunta essencial: como, com quem e em quais condições estamos construindo a educação no Brasil?


Diferente do que muitas pessoas pensa. A educação não é uma estrutura linear, nem um processo isolado. Ela é um sistema de alta complexidade, formado por múltiplas camadas que se conectam e se sustentam mutuamente. Quando pensamos em educação, pensamos, sim, no professor figura central, que está na linha de frente e lida diariamente com os desafios concretos da prática pedagógica. Mas também precisamos reconhecer que nenhum professor sustenta a educação sozinho. Por trás de cada aula, de cada projeto e de cada prática bem-sucedida, existe uma rede de profissionais que atuam, muitas vezes de forma invisível, para que a educação aconteça.


Fazem parte desse ecossistema gestores escolares, equipes pedagógicas, técnicos, pesquisadores, autores, editoras, produtores de materiais didáticos, profissionais da cultura, agentes públicos, mediadores culturais e tantos outros trabalhadores que desenvolvem produtos, serviços e estratégias que subsidiam o trabalho educativo. A educação tem muitas faces pedagógica, cultural, social e estrutural e todas são fundamentais.


Ao longo da minha trajetória, especialmente na articulação entre cultura, educação e gestão de projetos, e também na escrita do livro Educação Democrática: o Impacto dos Projetos Escolares (2020), tornou-se evidente que a educação ganha potência quando compreendida como um processo coletivo e intencional. Projetos educativos bem estruturados demonstram, na prática, que é possível transformar o ambiente escolar, fortalecer vínculos, valorizar a cultura local e ampliar o protagonismo dos estudantes. Mas esses projetos não surgem do acaso: eles exigem planejamento, gestão, recursos, apoio técnico e, sobretudo, valorização dos profissionais envolvidos.


A educação carrega um papel profundamente transformador. É por meio dela que se constroem caminhos para reduzir desigualdades, fortalecer a democracia, ampliar a consciência crítica e promover uma sociedade mais justa e sustentável. No entanto, essa capacidade de transformação não se realiza automaticamente. Ela depende de condições concretas: tempo, estrutura, formação continuada, materiais adequados e reconhecimento profissional.


Nesse contexto, o pensamento de Paulo Freire permanece atual e necessário. Ao afirmar que educar não é transferir conhecimento, mas construir sentido, ele nos convida a olhar para a educação como prática viva, situada na realidade dos sujeitos. Em um cenário marcado pelo excesso de informação e pelo avanço das tecnologias, essa reflexão se torna ainda mais urgente. A tecnologia pode apoiar, mas não substitui o diálogo, a intencionalidade e o compromisso humano que sustentam a prática educativa.


Valorizar a educação, portanto, exige ampliar o olhar. Não se trata apenas de reconhecer o trabalho docente, embora isso seja indispensável, mas de compreender e fortalecer toda a rede que sustenta esse trabalho. Valorizar significa garantir condições dignas, investir em formação, reconhecer saberes, fomentar projetos e respeitar os diferentes papéis que compõem esse sistema.


Se queremos que o Brasil se consolide como uma grande nação, precisamos compreender que isso passa, inevitavelmente, pela educação. E não por qualquer educação, mas por uma educação que reconhece sua complexidade, que valoriza seus profissionais em todas as suas dimensões e que se compromete, de fato, com a transformação social.


Neste Dia Mundial da Educação, talvez a reflexão mais importante não seja apenas sobre o que ensinamos, mas sobre como estamos construindo esse processo, com quem estamos caminhando e em quais condições ele se realiza. Porque, no fim, é essa construção coletiva que determina o impacto real da educação e o futuro que estamos ajudando a formar.


Jussara Prates - Sinapse Cultural Historiadora e Bióloga

Especialista em Educação; Diversidade, Cultura e Etnicidade http://lattes.cnpq.br/8153737281744299 Produtora Cultural l livros paradidáticos l jogos paradidáticos l Projetos Culturais e Educativos

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