Sobre Nomes: História de Portão
- Jussara Prates

- 12 de ago. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: há 21 horas

A escolha dos nomes e a memória coletiva
Se ainda não passou pela dificuldade de escolher um nome, seja para um filho, empresa, produto ou bichinho de estimação, acredite, ainda viverá esse dilema e, certamente, se tornará uma interessante experiência. Vai quase enlouquecer com as variáveis e sofrerá pelas dúvidas. Inúmeras vezes se questionará: Será que estou fazendo a escolha certa? E depois de escolhido, de vez em quando, ainda vai se questionar sobre a decisão tomada.

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Com o passar do tempo, vai aos poucos percebendo que a escolha foi óbvia e perfeita, parecendo que sempre fora assim. Nos acostumamos com as denominações de tudo.
É o caso dos nomes dos municípios, às vezes parecem estranhos ou engraçados, mas para os moradores, que historicamente o conhecem e sabem das motivações para tal, ele lhes parece natural e adequado. Isso ocorre porque, ao longo da vida, ouvimos e lemos histórias sobre o lugar onde vivemos e essas informações fazem parte da memória coletiva, naturalizada de geração em geração.
História de Portão: a origem do nome do município
Para alguns, pode parecer estranho que um município se chame Portão, para nós não, afinal, desde sempre sabemos que na história de Portão, entre os anos de 1788 e 1789, por recomendações da coroa portuguesa, foi construído um portão. Entre outras funções, ele delimitava essa parte do território da Feitoria do Linho Cânhamo e impedia que o gado, criado na Estância Velha, escapasse pelo arroio Correa, o atual arroio Portão, em direção ao Rincão do Cascalho. Sabemos também que ele se tornou referência de localização entre os tropeiros que circulavam nessa região e acabou, naturalmente denominando a localidade. Assim, duzentos e tantos anos depois, o nome Portão nos parece óbvio e adequado.

Nas proximidades da atual Praça Ramuel Rodrigues da Rosa é que foi construído o portão, entre 1788/89 não se tem dados sobre a localização exata.


O antigo portão e a Feitoria do Linho Cânhamo
Segundo registros, nos primeiros tempos o portão ficava trancado sendo aberto por um guarda/feitor que morava nas proximidades. A Feitoria do Linho Cânhamo foi desativada em 1821, pouco antes da chegada dos alemães em 1824 e parte dessas terras passaram a compor a Colônia de São Leopoldo, iniciando-se assim, um novo ciclo na história regional.
O monumento sob o viaduto Alfredo Lemmertz

Foto de Isaías Mattos, 2009
O portão está, simbolicamente, representado no monumento embaixo do viaduto Alfredo Lemmertz, que remonta à ideia de estarmos atravessando um portão quando adentrarmos o centro da cidade.


Educação patrimonial e memória local em Portão
É um elemento histórico que povoa o nosso imaginário e já serviu de inspiração para trabalhos de alunos e produções poéticas, contribuições valiosas para a manutenção da identidade e da memória local.


https://www.consolidesuamarca.com.br/
registro-de-marcas-portao-rs
Referência poética sobre Portão
Que o verso a seguir nos inspire a olhar com mais poesia para a nossa Portão.
“Nascido no tempo antigo
Entre o Sinos e o Caí,
Logo fizeram de ti
O mais sincero amigo
Pois serviste de abrigo
Do escravo e do tropeiro,
Que a cavalgar o dia inteiro
Cruzando o campo deserto,
Te encontrou “Portão” aberto
E um solo hospitaleiro”
(“Rememorando” de Ernani de Oliveira Nunes)
História local, memória e publicações com propósito
A Sinapse Cultural desenvolve pesquisas, livros, oficinas, projetos editoriais e materiais educativos voltados à memória local, história dos municípios, educação patrimonial e formação humana.
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Jussara Prates Girardi é escritora, produtora cultural e criadora da Sinapse Cultural. Licenciada em História e Biologia, especialista em educação, arquivos, patrimônio, diversidade cultural e sustentabilidade, com MBA em Gestão Estratégica de Projetos, atua no desenvolvimento de livros, cursos, oficinas, jogos educativos, materiais pedagógicos e projetos culturais voltados à educação, memória, cultura e formação humana.












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