A EDUCAÇÃO QUE ME MOVE E QUE ME TRANSFORMA
- Fabiana Machado

- 27 de mar. de 2025
- 4 min de leitura
Fabiana Machado

Educação transformadora: Paulo Freire, autonomia e esperança
Olá amigos e amigas, professores e professoras! Não poderia deixar de dedicar esta carta, também, para dois professores muito especiais e que durante a minha trajetória acadêmica, no curso de Pedagogia, me apresentaram ao mundo freireano e contribuíram para a minha formação acadêmica. In memorian dos queridos Professores Remi Klein e Euclides Redin, a quem faço estes agradecimentos, pois muito do que sou e do que aprendi, enquanto educadora e pesquisadora, teve como base os seus ensinamentos, conselhos, carinho, dedicação e amorosidade. Obrigada Professores Remi Klein e Redin, deixaram marcas, que serão sempre lembradas por mim, em meus atos e posturas freireanas!
Quando descobri a obra do pensador brasileiro Paulo Freire, meu primeiro contato com a pedagogia crítica, encontrei nele um mentor e um guia, alguém que entendia que o aprendizado poderia ser libertador (HOOKS, 2020, p. 15).
Assim como a escritora Bell Hooks, o meu encontro com Paulo Freire, se deu a partir da leitura dos livros “Pedagogia da Autonomia” e “Pedagogia dos Sonhos Possíveis”, e foi com estas leituras que pude perceber a importância do meu papel enquanto educadora, da importância do meu trabalho pedagógico na vida de crianças e estudantes. O respeito à autonomia e à dignidade do “aluno” é um caráter ético, não um favor. O ato de aprender é construir e reconstruir; toda prática educativa demanda a existência de sujeitos que ensinando, aprendem e os que aprendem, ensinam.
Educação transformadora: Sempre acreditei nesta pedagogia, de afeto, carinho, de valorização dos saberes que cada estudante traz consigo. Uma educação com consciência coletiva, movida pela autonomia, como um processo para todos e todas, que não exclua e não rotule ninguém! É inegável, que atualmente vivemos tempos difíceis em nossa sociedade, pois a pandemia nos mostrou “um outro lado”, lado este, que talvez já havíamos esquecido ou até mesmo superado, principalmente no que tange a educação.
Não é possível respeito aos educandos, à sua dignidade, a seu ser formando-se, à sua identidade fazendo-se, se não se levam em consideração as condições em que eles vêm existindo, se não se reconhece a importância dos “conhecimentos de experiência feitos” com que chegam à escola [...]. (FREIRE, 1996, p. 64).
Sendo assim, se faz necessário resgatarmos um pouco da história da Educação Brasileira, dos períodos de lutas, conquistas, perdas e também retrocessos. Em pleno século XXI, ainda precisamos reafirmar a importância e o valor que a escola pública para o desenvolvimento de uma sociedade, de um país, de uma nação, que a educação é um direito incontestável, um direito humano, garantido em nossa Constituição Federal de 1988.

Paulo Freire (1996) afirma que ensinar exige alegria e esperança, sendo necessárias à atividade educativa e importante para quem ensina e para quem aprende. Por isso, em tempos tão difíceis, seja tão importante reforçarmos sobre o ato de avaliar para além de conteúdos e provas. Sobre o ato de aprender para além do espaço da sala de aula.
Garantir a todos e todas, uma trajetória escolar bem-sucedida é um dever social de cada um de nós, sendo um esforço coletivo de todos os órgãos comprometidos com a educação. Mais do que nunca, precisamos rever nossas ações pedagógicas dentro da escola, respeitando o direito de cada criança, de cada adolescente, de cada jovem de aprender e se desenvolver com seus pares
Crédito: Francesco Tonucci
A avaliação é muito mais do que medir conhecimentos, é uma forma de relação entre o que se aprende e o que se ensina. É procurar entender a realidade e a necessidade de cada criança e de cada estudante. Perceber que cada indivíduo tem uma história diferente, uma forma de ver e perceber as coisas ao seu redor.
Mas por que Freire, para falarmos em avaliação? Porque Freire ainda vive em nossa Educação, em nossos estudos e na maneira de pensar e acreditar no Mundo. Enquanto professora, enquanto pesquisadora, Freire contribui com minha forma de ser e fazer. A inquietude e a preocupação com a verdadeira aprendizagem de meus estudantes, é que me move a estudar cada vez mais.
Que a escola seja o lugar de emancipação de todos os sujeitos e não da culpalização e do fracasso, e que de fato ela atenda ao direito à educação para todos e todas e para cada um e uma dentro de suas especificidades.

Que esta carta, seja sinônimo de esperança, de teimosia, de luta e resistência, que por meio destas escritas, destas palavras, possamos compreender e pensar a educação com comprometimento e cuidado com o outro.
Freire (2001, p.35) nos diz: “É impossível existir sem sonhos” e eu gostaria de encerrar esta carta, que está regada de muito afeto, de muitos sonhos, de muita militância e de luta pela a educação, afirmando: “hoje sou eu que sigo neste caminho, neste constante processo de ensinar e aprender, neste processo de pesquisar, de refletir e de caminhar com passos firmes em busca de uma educação justa, que respeite a todos e todas que dela fazem parte, assim como eu!”.
Grande abraço e com o coração repleto de esperanças.
Referências
Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire: Sistema Paulo Freire: da Educação Básica à Educação Superior (23: 2022:Santa Cruz do Sul,RS). Anais do XXIII Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire: Sistema Paulo Freire: da Educação Básica à Educação Superior [recurso eletrônico] / organização de Cheron Zanini Moretti…[et. al.], Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) – São Leopoldo : Casa Leiria, 2022. p. 245
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos Sonhos Possíveis. Ana Maria Araújo Freire organizadora. São Paulo: Editora UNESP, 2001.
HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir: A educação como prática da liberdade. 2 ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017.
*Fabiana Machado: Professora na Rede Municipal de Portão, Presidente do Conselho Municipal de Educação, Coordenadora dos CMEs da Regional AMVARC e membro titular do Conselho Fiscal na Uncme Nacional. É uma das Idealizadoras do Projeto "Formação em Prática". Formada em Pedagogia (UNISINOS) e em Gestão Pública (FAEL). Especialização em Supervisão e Orientação (UNISINOS), Ead e as Novas Tecnologias (FAEL) e em Gestão em Educação (UFRGS). Mestra em educação pela UERGS e doutoranda em Educação pela UFRGS.












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